Reforma tributária: e agora?

O violão na Globonews não soa bem para as vítimas do sistema tributário.

O Novo Teto e a “Reforma Tributária” foram as duas reformas mobilizadas pelo governo Lula até agora. Ambas não são progressivas - mantém benesses orçamentárias para os mais ricos e austeridade para os mais pobres, foram feitas a toque de caixa, de cima para baixo, sem audiências públicas ou participação das entidades dos trabalhadores como movimentos e sindicatos, e com um despejar imenso de recursos para parlamentares da direita fisiológica. Nesta última reforma, R$8,65 bilhões foram liberados para a aprovação de medidas que sequer têm grande conexão com o discurso de campanha responsável pela vitória histórica contra o Bolsonarismo. O que ambas também têm em comum é que produziram um ambiente muito complicado para aqueles que têm um posicionamento mais crítico ao apoiar o governo com uma perspectiva à esquerda.

Sem esgotar o tema, queremos aqui levantar os limitados prós e as grandes contradições e ameaças da reforma que não foi exatamente “tributária” no sentido amplo. O que vimos foi uma centralização de tributos no último ponto da cadeia, o mais cego e que mais impacta a classe média e os mais pobres: o consumo. Será criado um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) composto por dois tipos de impostos, o Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

 

Os (limitados) prós:

A centralização dos impostos do consumo parte sim de princípios importantes e essenciais. O emaranhado de impostos do sistema brasileiro complica as empresas pequenas, médias e grandes, e causa grandes confusões e litígios. Centralizar impostos, nesse sentido, é uma boa premissa. Além disso, a cobrança de impostos no lugar onde mercadorias e serviços são consumidos pode diminuir as desigualdades entre estados e municípios. Com impostos cobrados na origem, entes federativos mais ricos e industrializados tendem a arrecadar mais, ampliando a desigualdade.

 Arrecadar no destino significa coletar impostos onde as pessoas usam serviços públicos, o que também é mais justo. Porém, a reforma não será vista por completo por muitos brasileiros já que tem um risível prazo até 2078 para ser completada. Ou seja, 55 anos.

Além disso, o que saiu de caráter progressivo com considerável propaganda foi principalmente a isenção da cesta básica, cobrança do IPVA para jatinhos e iates e o cashback para os mais pobres. Porém, todas essas partes foram frágeis, pouco detalhadas, genéricas e só serão confirmadas com futuras regulamentações, que podem ou não vir. Um caso famoso disso foi o Imposto Sobre Grandes Fortunas (IGF), constitucional e jamais regulamentado.

 

 

Os (graves) contras:

A bagunça do sistema tributário, porém, não é a origem da desigualdade. Mas foi uma forma de escondê-la. Talvez essa reforma acabe por torná-la mais clara, já que provavelmente teremos uma alta alíquota de imposto no consumo. O que levanta dúvida é se esse fato vai gerar uma revolta à esquerda contra o sistema tributário, ou empoderar os anarcocapitalistas e liberais neofascistas anti-impostos.

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